29/10/2009 9h40min
BASE DA PECUÁRIA ESTÁ NUMA BOA FORRAGEIRA.
Fonte: Jornal Correio do Estado
As plantas forrageiras são a base para a bovinocultura de corte e de leite. Ocupam uma área cultivada de cerca de 120 milhões de hectares, sendo que cerca de 40 milhões estão na região centro-oeste e deste, em torno de 12 milhões de hectares, em Mato Grosso do Sul. A criação de animais em pastos cultivados promoveu um diferencial qualitativo para a carne brasileira, em função de barreiras sanitárias como o mal da vaca louca, e do bem estar animal, e permitiu que o Brasil se tornasse o maior exportador mundial desse produto, com destaque para o Estado de Mato Grosso do Sul com o segundo maior rebanho bovino do País.
As sementes forrageiras são, também, fonte de riqueza para o país, pois a sua comercialização movimenta cerca de 240 milhões de dólares anuais, equivalente ao do mercado de sementes de milho híbrido.
O melhoramento de forrageiras tropicais e temperadas no Brasil é uma atividade realizada por poucas equipes, diz Liana Jank, "além de ser relativamente recente, com ênfase apenas nos últimos 30 anos", informa. Segundo a pesquisadora, a Embrapa, em especial a unidade de Campo Grande, em parceria com outras Unidades e Instituições de ensino vêm liderando o processo de desenvolvimento de novas cultivares de forrageiras pelo melhoramento e seleção. Estas cultivares respondem por mais de 70% do mercado de sementes forrageiras comercializadas no Brasil. Além disso, a Embrapa dispõe no Estado de Mato Grosso do Sul, dos maiores bancos ativos de germoplasma das gramíneas e leguminosas forrageias tropicais de importância econômica e a maior equipe de pesquisadores envolvidos com o desenvolvimento de novas cultivares, entre as instituições de pesquisa nacionais.
"O desenvolvimento de equipes interdisciplinares é essencial na obtenção de resultados positivos em um programa de melhoramento genético", afirma a especialista. Segundo ela, a área de melhoramento genético de forrageiras ainda precisa ser internalizada pelas universidades brasileiras e é evidente a carência de pesquisa e formação de pessoas para desenvolver novas cultivares forrageiras por meio de melhoramento genético. "E indiscutível a importância dos programas de melhoramento genético de forrageiras para desenvolvimento de cultivares cada vez mais produtivas e adaptadas às diferentes condições climáticas que possam garantir a sustentabilidade da bovinocultura de corte no Estado de Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil", declara Liana.
A criação de animais em pasto é uma das grandes vantagens competitivas do sistema de produção de carne bovina brasileira, não apenas pelo baixo custo de produção animal, mas também devido aos embargos comerciais em razão do aumento dos riscos sanitários, decorrentes da presença de insumos de origem animal na suplementação alimentar bovina. Logo, a carne brasileira pode ser considerada um alimento seguro, o que lhe confere um diferencial no mercado nacional e internacional.
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