PREÇO DO SAL RECUA PARA PATAMAR ESTÓRICO.

Depois de uma escalada espetacular ao longo de 2008, os preços do sal mineral com90 g de fósforo - formulação mais utilizada no rebanho brasileiro - voltaram a recuar para o patamar de suas cotações históricas, de cerca de R$ 24 o saco. Uma boa notícia para os pecuaristas, que levaram um grande susto no ano passado, ao ver o saco chegar a R$ 46, um aumento de quase 100%, provocado por distúrbios no mercado de fosfato bicálcico.
Essa fonte de fósforo é o principal componente da chamada linha branca, sal comum de pronto uso, que representa 60% dos suplementos minerais vendidos no País. No segundo semestre de 2007, devido ao aquecimento do mercado de fertilizantes, que disputa com o de bicálcico a mesma matéria prima, o preço desse ingrediente explodiu, puxando consigo as cotações dos suplementos minerais. Em janeiro deste ano, contudo, começaram a cair e hoje estão próximas dos valores praticados em 2006 e 2007.
Conforme levantamento realizado por Sérgio Morgulis, diretor do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), a atual capacidade de troca da pecuária é a melhor dos últimos três anos. Assim, enquanto na época da crise do bicálcico o produtor adquiria 14,9 sacos de sal com a venda de um bezerro, no mês de junho já comprava 23,5 sacos, 57,7%amais. Morgulis escolheu o bezerro para fins comparativos, porque a vaca é amaior lambedora de sal do rebanho. Qualquer aumento ou deságio no preço desse insumo repercute diretamente no custo do bezerro. Cerca de 80% dos animais suplementados no País são vacas e animais de recria; portanto, é natural que o bezerro seja escolhido como referência na análise da relação de troca dos suplementos minerais.
No gráfico, o mineral com90 gramas de fósforo, produto mais indicado para vacas de cria, apresenta um comportamento atrelado ao do bicálcico, cujas cotações estão em queda, devido à retração da demanda internacional. Segundo Fernando Penteado Cardoso Filho, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), as misturadoras, que têm repassado a seus produtos praticamente 100% do recuo nos preços do bicálcico, pressionadas pela forte concorrência no setor, já não teriam mais espaço para novas reduções. "Nossa margem é muito pequena. Se o movimento baixista continuar, muitas empresas poderão fechar as portas", diz.